Educação para Surdos é discutida durante congresso no Brasil
Durante o Congresso Internacional de Educação para Surdos: "Bilinguismo- Práticas e Perspectivas", que aconteceu em São Paulo, no dia 23 de agosto, promovido pela Fundação de Rotarianos de São Paulo e pela Escola para Crianças Surdas Rio Branco, com o apoio da Fundação Bradesco e da Brasilprev, especialistas em educação para surdos de diversos países discutiram as melhores práticas por meio de apresentações de cases de sucesso e técnicas bem-sucedidas. Representantes do Chile, Suécia, Colômbia, Estados Unidos e Inglaterra uniram-se aos profissionais brasileiros e mostraram o que já foi feito e o que ainda precisa ser alcançado para que os surdos recebam educação de qualidade.

O congresso internacional, que discutiu o bilingüismo como proposta de educação para os surdos, reuniu cerca de 400 pessoas provenientes de todo o Brasil, além de participantes do exterior. Atualmente, fala-se muito em inclusão de alunos surdos em escolas regulares, mas a maneira como esse processo é conduzido, principalmente no Brasil, mostra que é necessário muito mais do que a simples inserção no espaço físico. Participantes puderam conhecer experiências de especialistas em Educação Bilíngüe para Surdos e entender a importância dessa prática.
Durante a abertura oficial – que contou com a presença do superintendente da Fundação de Rotarianos de São Paulo, Marco Rossi; a diretora-geral do Colégio Rio Branco, Esther Carvalho; o diretor-geral das Faculdades Integradas Rio Branco, Custódio Pereira; a coordenadora do Centro Profissionalizante Rio Branco, Susana Penteado e a coordenadora da Escola para Crianças Surdas Rio Branco e presidente do Congresso, Sabine Vergamini -, o presidente da Fundação de Rotarianos de São Paulo, dr. Eduardo de Barros Pimentel, deu boas vindas aos presentes e enfatizou que o evento representa uma oportunidade de aprender e conhecer mais sobre o assunto para que o trabalho com surdos, realizado pela Fundação , possa ser exercido de forma ainda melhor.
Martha Posada, da Federação Nacional de Surdos da Colômbia, falou sobre os direitos humanos por meio das Línguas de Sinais. Segundo ela, o trabalho da Federação é mundial e busca gerar nos surdos a capacidade política de interagir na sociedade e no mundo dos ouvintes e que o fortalecimento da primeira língua (língua de sinais) é importante para que possam exercer seus direitos como cidadãos, pois o surdo é representante de si mesmo e de seus direitos por meio das línguas de sinais. "A nossa missão é a equiparação de oportunidades e melhoria da qualidade de vida do surdo. O nosso trabalho busca o reconhecimento da Língua de Sinais como idioma para que os surdos se comuniquem de forma natural", afirmou Martha.
Gary Morgan, da University College London (Inglaterra); Dora Adamo Quintela, da Universidade Metropolitana de Ciências da Educação do Chile e Alexandre Jurado Melendes e Sandra Regina Leite de Campos da Escola para Crianças Surdas Rio Branco, apresentaram o tema "O Trabalho com Bebês Surdos". Morgan abordou os passos para a aquisição da Língua de Sinais; Dora contou como é o trabalho em uma escola bilíngüe em Santiago, Chile; e os profissionais da ECS Rio Branco apresentaram o Programa de Estimulação do Desenvolvimento, que atende crianças surdas de 0 a 3 anos, desde o diagnóstico da surdez, cujo principal objetivo é possibilitar a aquisição da Língua Brasileira de Sinais.
"Letramento e Surdez" foi assunto abordado por Kristina Svartholm, da Stockholm University (Suécia), Robert Johnson, da Gallaudet University (EUA) e Mirtes Hayakawa e Débora Kober, da Escola para Crianças Surdas Rio Branco. Aquisição natural da Língua de Sinais e benefícios potenciais do bilingüismo foram apresentados pelos palestrantes.
Martha Posada, John Haynes, Presidente do Rotary Club de Rochester (EUA) e Robert Johnson falaram sobre organizações sociais para surdos. Martha enfatizou que as organizações para surdos devem trabalhar para conseguir políticas públicas, planos de ação e programas em prol da qualidade de vida e criação de redes com ouvintes. John Haynes contou histórias de organizações sociais nos Estados Unidos e falou sobre a sua participação no Rotary Club. Também salientou que para trabalhar com surdos é necessário treinamento vocacional. Robert Johnson, por sua vez, disse estar impressionado com o trabalho realizado pela Escola para Crianças Surdas Rio Branco.
A última conferência "Educação Bilíngüe para Surdos na Suécia: Teoria e Prática" contou com Kristina Svartholm. De acordo com ela, a educação bilíngüe é fundamental. "O bilinguismo significa a flexibilidade e liberdade de escolha para todos os surdos, com ou sem implantes cocleares, em suas vidas futuras", disse Kristina.
O Congresso Internacional de Educação para Surdos "Bilingüismo : Práticas e Perspectivas", uma iniciativa da Fundação de Rotarianos de São Paulo e da Escola para Crianças Surdas Rio Branco, com o apoio da Fundação Bradesco e da Brasilprev, promoveu debate de alto nível sobre as questões relacionadas à educação para surdos, tornando-se uma referência para o setor.